Histórias de amor

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Você vive um amor ou uma história de amor?

Tem diferença, sim. Um amor é a realização plena de um sentimento recíproco. Passa por alguns ajustes, negociações, mas desliza. Pode perder velocidade aqui, ganhar ali, mas não é interrompido pelas dúvidas, não permite a entrada de terceiros, tem a consistência das coisas íntegras, duráveis. O amor, amor mesmo, é uma sorte que se honra, uma escolha em que se aposta diariamente, o amor é algo que nasce e frutifica.

Já uma história de amor é, como diz o termo, uma invenção. Algo para ser contado ao analista, desabafado para os amigos, uma narrativa chorosa e trágica, um acontecimento beirando o folclórico, um material bruto pedindo para ser transformado em obra de arte. Toda história de amor está impregnada de obstáculos que lhe conferem um status de ficção.

Amor proibido pela família, rejeitado pela sociedade, condenado por preconceitos, amor que exige fugir de casa, pegar em armas, trocar de identidade: virou história de amor. Perde-se um tempo enorme roteirizando o dia seguinte. Se fosse amor, simplesmente amor, o dia seguinte amanheceria pronto.

Amor que coleciona mais brigas que beijos, mais discussões que declarações, mais rendições que entrega: virou história de amor. Pode subir aos palcos, transformar-se em filme, faturar na bilheteria: tem enredo. Mas não tem continuidade. Sai de cartaz rapidinho.

Amor que sobrevive à distância, que se mantém através de cartas e telefonemas (permita-me a nostalgia, sobreviver pelo whattsapp não combina com literatura), o amor sem parceria, sem corpo presente, o amor que não se pratica, que não se lubrifica, que enferruja por falta de uso: virou história de amor. Sofrido como pedem os poemas, glorificado pela vitimização, até o dia em que a ausência do outro deixa de ser um ingrediente pitoresco e você descobre que cansou de dormir sozinha.

Amor que exige insistência, persistência, paciência: virou história de amor. Se fosse amor, nada além de amor, navegaria em águas mais tranquilas, não exigiria tanto de seus protagonistas, o entendimento seria instantâneo, sem exagero de empenho, desgaste, sofrimento. Aff. Histórias de amor são fantásticas na primeira parte, tiram o ar, movimentam a vida, mas da segunda parte em diante viram teimosia dos autores, que relutam em colocar o ponto final na saga que eles próprios criaram.

Amor ou história de amor, o que se prefere?

Aventureiros, notívagos, hereges, rabugentos, sedutores, inquietos, fetichistas, insaciáveis, pecadores, estrangeiros, narcisistas, intrépidos, dramáticos, agradecemos cada verso e cada noite mal dormida que vocês deixaram de lembrança, mas um dia a gente cresce e a fantasia cede lugar à sensatez: um amor está de bom tamanho.

Martha Medeiros

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O DESAFIO DO CONTENTAMENTO

 

Por Jim Mathis

Tenho lutado com o conceito de contentamento há algum tempo. Parece uma virtude passageira. Por uns poucos momentos nos sentimos contentes, e então, algo acontece e o descontentamento começa a insinuar-se. Em outras ocasiões, o descontentamento é algo bom, motivador, positivo. Se você se sente preso a um trabalho que não oferece esperanças de carreira ou maiores desafios, sentir-se descontente pode estimulá-lo a mudanças.

O estudante que está contente com notas medíocres precisa que alguém lhe ateie fogo. Se uma pessoa com 30 anos ainda vive no porão da casa dos pais e está contente jogando vídeo game o dia inteiro, certamente está com problemas. Em qualquer cenário, o descontentamento pode ser benéfico. Entretanto, se você tem 60 anos e não está contente, está prestes a se tornar um velho resmungão ou uma velha rabugenta, tendo que enfrentar uma vida de arrependimentos. A pergunta é: Como encontrar contentamento?

Em nossa cultura contentamento está associado a apatia ou preguiça; pode ser, em certo sentido. Mas muitos descobriram que o verdadeiro contentamento é o segredo para felicidade. Quando atingi a maioridade na década de 60, havia muita discussão sobre “encontrar-se a si mesmo”, baseada na ideia que fomos criados para um propósito específico. Creio que isso é verdade. E o quanto antes descobrirmos nosso propósito, melhor.

Contentamento está relacionado a idade. Uma pessoa de mais idade, madura, deveria estar contente. Uma mais jovem provavelmente não deveria se sentir contente, a menos que já tenha encontrado seu propósito na vida e sua vocação.

Levei anos até me dar conta que sou artista. É não me encaixo no estereótipo que tenho de artista. Sou bom em matemática e ciências, não sou excêntrico nem cheio de maneirismos. Pelo menos, não acho que seja. Depois de ter ultrapassado meus preconceitos e tomado consciência que sou de fato artista, e que isto é parte do que sou como pessoa, comecei a fazer o que os artistas fazem – arte. Isso se deu através da fotografia e da música, parte como homem de negócios e parte pelo prazer proporcionado por essas atividades.

Seja qual for a maneira pela qual fomos exclusivamente designados ‒ executivo, administrador, vendedor, equipe de apoio, contador, advogado, médico, professor ou outra vocação ‒ esforçar-se para ter contentamento é essencial.

O apóstolo Paulo declarou isto claramente: “Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito ou passando necessidade” (Filipenses 4.12). Ele estava falando de algo além do trabalho, de descobrir contentamento em qualquer aspecto da vida.

Seja no trabalho ou em nossas buscas pessoais, sem contentamento, felicidade e alegria sempre estarão além do nosso alcance.

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EU MAIOR

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Você maior…

As redes sociais alimentam, mas não são as únicas responsáveis pela egolatria que tomou conta do mundo. Vivendo numa bolha chamada sociedade de consumo, cada um de nós passou a ser encarado como um produto e, como tal, precisa se vender.

Para se colocar bem no mercado do amor e no mercado de trabalho, tornou-se obrigatório apresentar um perfil, e então tratamos de falar muito sobre nós, sobre nossos atributos e tudo o que possa fazer a gente avançar em relação à concorrência, que não é pequena. Somos os publicitários de nós mesmos, uns mais discretos, outros mais exibidos, mas todos procurando encantar o próximo, que propaganda nada mais é do que isso: a arte de seduzir.

Contraditoriamente, quando se torna necessário falarmos não de nossos atributos, mas de nossas dores, de nossas inseguranças e de nossos defeitos, fechamos a boca. Mesmo os que estão bem perto, aqueles que nos são íntimos, não escutam a nossa voz. Calamos por temer um julgamento sumário. Produtos precisam ser eficientes, não podem ter falhas.

A boa notícia é que tudo isso é um absurdo. Não somos um produto. Não precisamos de slogan, embalagem, jingle. Estamos aqui para conviver, e não para sermos consumidos. E, se quisermos que realmente nos conheçam, o ideal seria parar de nos anunciarmos como o último copo d’água do deserto.

O documentário Eu Maior, um dos trabalhos mais tocantes a que assisti nos últimos tempos, traz o depoimento de filósofos, artistas, cientistas e ambientalistas sobre quem verdadeiramente somos e como devemos nos relacionar com o universo. Entre várias colocações ponderadas, teve uma de Marina Silva que tomei como uma lição de comportamento:“Você descobre a qualidade de uma pessoa não quando ela fala de si, mas quando ela fala dos outros”.

Ou seja, o que revela sua verdadeira natureza são os comentários venenosos que costuma distribuir ou os elogios que faz sobre amigos e desconhecidos. São as fofocas que oculta para não menosprezar seus semelhantes ou que espalha por aí, acrescentando uma maldadezinha extra. Você é avaliado de forma mais precisa através da sua capacidade de enaltecer o positivo que há ao seu redor ou de propagar o negativismo que sobressai em tudo o que vê.

Você demonstra que é uma pessoa maior – ou menor – de acordo com sua necessidade de diminuir ou de valorizar aqueles que o rodeiam, de acordo com um olhar que deveria ser justo, mas que quase sempre é competitivo. É através das suas palavras amorosas ou das suas declarações injuriantes que os outros saberão exatamente quem é você – pouco importando o que você diga sobre si mesmo.

Sobre você mesmo, deixe que falemos nós.

Martha Medeiros

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AMAR É INCOMPREENSÃO

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“Amar é combater o desencontro a cada dia. Escute Clarice Lispector: ‘pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente’.
 
O convívio não destrói o mistério, pelo contrário. Viver uma vida toda ao lado de alguém é resignar-se a não decifrá-lo. Não nos saciaremos um no outro. Ele nunca chegará a nos pertencer definitivamente. Um rio separa os amantes, travessias são possíveis, mas as margens não fundirão.
 
Gulosos, consideramos que a feliqqcidade seria fazer-se um: queremos mais do que encaixe, o objetivo é zerar a distância, virar uma só laranja. Nesse caso, melhor casar com o espelho ou seguir em busca desse par perfeito, pulando de promessa em promessa, procurando no amor o tesouro escondido da felicidade.
 
O problema é que Amor e Felicidade sofrem da mesma sina. São inflacionados, acima de tudo incompreendidos e costumam não ser reconhecidos quando estão presentes em nossas vidas. Por natureza, eles são discretos, deixam-se estar, dispostos a um bom papo, uma tacinha de vinho. Mas em geral são ignorados. Depois de um tempo, partem incógnitos. Os que não souberam reconhecê-los sequer têm motivo para lamentar por isso, a ignorância os protege.
 
Já a Paixão e a Euforia nunca passam despercebidas, causam furor quando chegam. São barulhentas, jogam confetes em si mesmas e somem sem que se saiba quando foi que a Ressaca tomou seu
lugar.
 
Os amantes ingênuos são mais afeitos ao estilo destas últimas. Como num parque de diversões eterno, ficam em longas filas, na chatice da espera, para viver instantes de vertigem. Prefiro gastar meu prazo tomando um vinho com a Intimidade. Essa, é mais próxima da Felicidade. Acho que nunca terminarei de comemorar a permanência do amor como um presente que recebo a cada dia. Um pacote de presente que nunca abro. O mistério de seu conteúdo faz parte da felicidade de tê-lo em mãos.”
 
- Diana Corso – Amar é incompreensão (Revista VIDA SIMPLES)
Via Blog Cadê o Meu Abraço

 

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O problema é essa geração

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Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa:

- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis com o ambiente. A senhora pediu desculpas e disse:

- Não havia essa onda verde no meu tempo.

O empregado respondeu:

- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso ambiente.

- Você está certo – responde a velha senhora – nossa geração não se preocupou adequadamente com o ambiente.

Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupamos com o ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Nós não nos preocupávamos com o ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha
uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?

Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos
jornal amassado para protegê-lo, não plástico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.

Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não
precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e
garrafas pet que agora lotam os oceanos.

Canetas: recarregávamos com tinta tantas vezes ao invés de comprar outra. Amolávamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos ‘descartáveis’ e poluentes só
porque a lâmina ficou sem corte.

Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de
usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós
não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

Então, não é risível que a atual geração fale tanto em “meio ambiente”, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?

 

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NÃO ME DELETE, POR FAVOR.

“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo.”
Zygmunt Bauman
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O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.

O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.

Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.

Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.

O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angustia. Filosoficamente a angustia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.

 

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Um dia, todo mundo tem que atravessar seus desertos

desertosUm dia, todo mundo tem que atravessar seus desertos. Momentos onde a solidão se faz tão presente que parece ter um corpo. A dor faz o tempo ficar lento, demorado, e tudo parece parar. 

É neste momento, que o ser humano descobre o que são fardos, os fortes encontram a escada que os fará subir, os fracos se perdem em lamentações, saem buscando os culpados… Ai está a diferença entre passar pelo deserto e o permanecer nele. Os que resistem, os que persistem, racionam a água, caminham um pouco mais, dão um passo além das forças.

Os que desanimam, bebem toda a água do cantil, esperam pelo milagre que não virá, pois todo milagre é fruto de uma ação positiva. Se hoje você está atravessando o seu deserto, seja ele o mais seco do mundo, não importa, em algum canto dele, você encontrará um oásis.

Na nossa vida, oásis são os amigos que não nos abandonam, são aquelas pessoas desconhecidas que se preocupam com o próximo, é a fé que todos nós temos e renova a esperança. Mantenha a racionalidade e uma certeza: você vai atravessá-lo!

Não desista de nada, não desista de você! A poeira vai abaixar, a tempestade vai passar, e depois de tudo, o sol vai brilhar por você.
A esperança é essa brisa que sopra seus cabelos, e a força que nos empurra para a vitória, é o amor de Deus que nunca nos abandona.

Paulo Roberto Gaefke

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MINHA TURMA

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Ela é uma amiga recente. Tem três filhos, sendo que um deles possui uma síndrome rara. É uma criança especial como se diz. Acabei de ouvi-la palestrar a respeito de como é o envolvimento de uma mãe com um ser que necessita de tanta atenção. Eu estava preparada para ouvir um chororô, e não a acusaria, ela teria todo o direito se. Mas o ” se” não veio. O que vi foi uma mulher comovente e leve ao mesmo tempo, recorrendo ao humor para segurar a onda e para não se desconectar de si mesma. Ela deu uma choradinha, sim , mas de pura emoção e gratidão por passar por essa experiência que dá a ela e a esse filho uma cumplicidade também fora do comum. Quando ela terminou de falar pensei ; ” Essa é a minha turma” . E silenciosamente a inseri no rol dos meus afetos verdadeiros.

Estranhei ter sido essa a expressão que me ocorreu ” minha turma’ e só então percebi que, durante a vida , a gente conhece um mundaréu de pessoas, estabelece variadas trocas de impressões , passei por outras tribos e tal.

São homens e mulheres que chegam bem perto de nosso epicentro , nem sempre por escolha, mas porque são parentes de alguém, conhecidos de não sei quem , e que acabam sendo agregados á nossa agenda do celular. Até que o tempo vai mostrando uma dissimulação aqui, uma maldade ali, uma energia pesada , e você se dá conta de que alguns não são da sua turma.

Da série de ” Coisas que a gente aprende com o passar dos anos”: abra-se para o novo, mas na hora da intimidade , do papo reto, da confiança , procure sua turma. É fácil reconhecer os integrantes dessa comunidade: são aqueles que falam a sua língua,enxergam o que você vê , entendem o que você nem verbalizou. São aqueles que acham graça das mesmas coisas, que saltam junto na transcendência , que possuem o mesmo repertório. São aqueles que não necessitam de legendas, que estão na mesma sintonia, e cujo histórico bate com o seu. Sua turma é sua ressonância, sua clonagem, é você acrescida e valorizada. Sua turma não exige nota de rodapé, nem resposta na última página. Sua turma equaliza, não é fator de desgaste. Com ela você dança o mesmo compasso, desliza, cresce se expande. Sua turma é sua outra família, aquela, escolhida.

Não tenho mais paciência com o que me exige atuação, com quem me obriga a usar palavras em excesso para ser compreendida. Não tenho mais energia o rapapé, para o rococó, para o servilismo cortês, para o mise-en-scéne social. Não tenho motivo para ser quem não sou, para adaptações de última hora, para adequações tiradas da manga. Não quero mais frequentar estranhos , em cujas piadas não vejo a mínima graça . Não quero ser apresentada, muito prazer e daí por diante dissecar minha árvore genealógica, me explicar os nomes dos meus tataravós, defender posições que me farão passar por boa moça. Não quero mais ser uma convidada surpresa.

Se você mandar eu procurar minha turma, acredite, tomarei com carinho !

Martha Medeiros

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Análise sociológica da música “Lepo Lepo”

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Preciso pedir mil perdões ao Psirico.
Não havia ouvido a música mais comentada das redes sociais nestes dias. O principal assunto do Twitter e do FB.
Esqueçam o julgamento do Mensalão e outras bobagens.
Lepo Lepo é a música mais revolucionária de todos os carnavais.
Vocês que estão criticando é que não entenderam NADA.
Siga o raciocínio comigo.

A Letra diz:
“Eu já não sei o que fazer – Duro, pé rapado com o salário atrasado. “
( ANÁLISE: Realidade social de milhares de brasileiros – fora os desempregados )

“Já não tenho mais para onde correr – Já fui despejado e o banco levou o meu carro.”(Análise: entrou em financiamentos acreditando que conseguiria melhorar a vida e infelizmente não conseguiu pagar suas contas – perdeu o pouco que tinha – Realidade social de milhares de brasileiros)

“Agora vou conversar com ela, será que ela vai me querer? Agora vou se é verdade – Se é dinheiro ou e amor ou cumplicidade? “

(Análise: diante do panorama atual onde as pessoas não valem o que são, mas apenas o que tem. Saber se uma mulher está com você por dinheiro ou por amor é algo muito importante. Enquanto 99% da música brasileira está em seu momento de ostentação – essa música coloca em questão os valores da sociedade. O que vale mais o amor ou os bens materiais? )

“Não tenho carro, não tenho teto e se ficar comigo é porque gosta”
( Análise: Verdade total. Nos dias de hoje, quem ficaria com um sem teto? Apenas outro sem teto. Negligenciado pelo Governo. Não ter carro então… Vai usar ônibus, trem ou metrô – ou seja, apenas quem ama muito uma pessoa e capaz de encarar todos estes problemas sociais e manter o relacionamento – AMOR VERDADEIRO. )

“RÁ LEPO LEPO LEPO LEPO” É A ÚNICA COISA QUE O CIDADÃO TEM.
Ou seja… de tanto tomar Lepo Lepo do Governo, só restou Lepo Lepar a parceira para manter o relacionamento.

Confessem, nós fomos preconceituosos.
A música retrata a realidade do Povo.
Então isso explica também uma necessidade URGENTE do Controle de Natalidade e planejamento familiar no Brasil, porque a quem nao restou nada… só o Lepo Lepo pode trazer alguma alegria e lepo lepo sem prevenção – cria mais crianças e mais crianças sem os cuidados que merecem do Governo, podem se tornar cidadãos com muitas dificuldades sociais e o ciclo não termina nunca.

Essa é minha lepo lepo tese.

Recebi no whats. Desconheço autoria. Bom carnaval gente.

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Só dê ouvidos a quem te ama

Só dê ouvidos a quem te ama... Pe. Fábio de melo

 

“Só dê ouvidos a quem te ama. Outras opiniões, se não fundamentadas no amor, podem representar perigo. Tem gente que vive dando palpite na vida dos outros. O faz porque não é capaz de viver bem a sua própria vida. É especialista em receitas mágicas de felicidade, de realização, mas quando precisa fazer a receita dar certo na sua própria história, fracassa.

Tem gente que gosta de fazer a vida alheia a pauta principal de seus assuntos. Tem solução para todos os problemas da humanidade, menos para os seus. Dá conselhos, propõe soluções, articula, multiplica, subtrai, faz de tudo para que o outro faça o que ele quer.

Só dê ouvidos a quem te ama, repito. Cuidado com as acusações de quem não te conhece. Não coloque sua atenção em frases que te acusam injustamente. Há muitos que vão feridos pela vida porque não souberam esquecer os insultos maldosos. Prenderam a atenção nas palavras agressivas e acreditaram no conteúdo mentiroso delas.

Há muitos que carregam o fardo permanente da irrealização porque não se tornaram capazes de esquecer a palavra maldita, o insulto agressor. Por isso repito: só dê ouvidos a quem te ama. Não se ocupe demais com as opiniões de pessoas estranhas. Só a cumplicidade e conhecimento mútuo pode autorizar alguém a dizer alguma coisa a respeito do outro.

Ando pensando no poder das palavras. Há palavras que bendizem, outras que maldizem…

Quero viver para fazer esquecer… Queira também. Nem sempre eu consigo, mas eu não desisto. Não desista também. Há mais beleza em construir que destruir.

Repito: só dê ouvidos a quem te ama.”

- Pe Fábio de Melo

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